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Os moradores da Comunidade Indigena Campinho, na Região Serra da Lua, no Município do Cantá, consideram um momento histórico a construção da primeira Unidade Básica de Saúde Indígena (UBS) que foi erguida graças a emenda parlamentar da deputada Joenia Wapichana (REDE), primeira parlamentar indígena eleita por uma decisão coletiva dos povos indígenas de Roraima. A obra foi uma indicação das lideranças indígenas regionais encaminhada à deputada.

Para celebrar o feito, a comunidade organizou uma solenidade festiva para inaugurar a obra, na manhã de sábado, 14. A deputada foi recepcionada com a tradicional dança indígena Parixara, onde outros convidados, entre lideranças indígenas e representantes políticos do Município do Cantá, puderam se juntar à mesa da solenidade. Todos falaram da importância da UBS, que recebeu um investimento no valor de R$274.236,04, obra executada pelo Distrito Especial Indígena do Leste (Dsei-Leste). 

Depois de ouvir a fala dos convidados, a deputada Joenia enalteceu a parceria que seu mandato vem mantendo com Dsei-Leste, dirigindo a palavra ao coordenador Márcio Sidney Sousa Cavalcante, que está há sete meses no cargo. Ela lembrou que está sendo construída outra UBS na Serra da Lua, na Comunidade Novo Paraíso, além de outras em São Mateus (Uiramutã),  Muriru e Wapum (Bonfim), Mangueira e Garagem (Amajari), e também uma na Terra Indígena Wai-Wai.

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"Hoje é a primeira UBS que está sendo apresentada no meu mandato.  Do jeito que a comunidade está alegre, eu também estou alegre", disse ao considerar também um momento histórico uma vez que as obras de todas as UBS são resultado de uma parceria do mandato com lideranças indígenas. "Nós queremos atenção para as comunidades indígenas. É isso que espero: chega de fazer exame preventivo no chão. Chega.  A gente precisa justamente comemorar esse dia porque é um passo a mais não só para mim, mas para nós".

Em tom emocionado, ela disse que o sentido dos direitos indígenas é a  coletividade. "Pela coletividade é que a gente veio aqui, pra ficar, pra ser incluído, para participar e para receber os direitos que a nós cabe. Parabéns comunidade, parabéns tuxaua. Vamos avançar. Espero, juntamente com a parceira com o Dsei-Leste, poder avançar nas demais construções. Estamos aqui colocando nosso compromisso".

Joenia afirmou que não lhe interessava saber quem votou nela ou não, pois trata todos como merecedores de direitos não apenas por suas etnias. "São parentes meus também, independente de ser Macuxi, Wapichana e Yanomami, que não vota, mas eu tenho essa preocupação com eles também. São sangue indígena, são nosso povo que precisa de atenção, de políticas públicas. Somos cidadãos brasileiros e não podemos ficar excluídos de acessar os direitos sociais, seja ele saúde, educação, segurança, bem-estar, economia", afirmou.

A parlamentar destacou que todo este trabalho é  uma obrigação como parlamentar e que, desta forma, tem defendido os direitos sociais, pois é a partir daí que irá proporcionar condições para defender os demais direitos. "Eu me lembro de quando estava andando nas comunidades indígenas, as mulheres vinham falar para mim que faziam os exames preventivos deitadas no chão. Isso é inadmissível, porque a gente sabe que tem recursos, mas muitas vezes são desviados para a corrupção. Não podemos mais tolerar mais isso. Por isso a gente veio aqui fazer a diferença", destacou.

Atendimento de saúde é feito em casa de madeira

A inauguração do prédio da UBS é uma reivindicação antiga da Comunidade do Campinho. Até os dias atuais, o atendimento de saúde é feito em uma casa de madeira improvisada, ao lado da cozinha comunitária, há pelo menos cinco anos. Antes disso, o posto de saúde ficava em outra casa improvisada, a qual teve o telhado derrubado durante um vendaval. 

Em seu depoimento, a enfermeira Judite Nunes de Lima disse que, nesses últimos cinco anos atuando no posto de saúde improvisado, vem lutando contra goteiras no telhado, crianças chorando por causa do calor excessivo e fazendo preventivo das mulheres de forma improvisada. "Hoje nosso coração se enche de alegria. Nossa equipe e a saúde está sendo abençoada", disse ao agradecer pela nova UBS. "A passo de formiguinha vamos melhorando".

Representantes da comunidade são chamados a fazer corte de fita inaugural de forma coletiva

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O momento do corte da fita inaugural do prédio da UBS foi feito de maneira especial. A deputada Joenia Wapichana, ladeada pelo coordenador do Dsei-Leste, Márcio Cavalcante, decidiu chamar familiares da homenageada, uma moradora antiga e duas crianças para que ajudassem a cortar a fita como símbolo de coletividade, que é a marca do mandato indígena.

A comunidade decidiu homenagear uma moradora antiga ao batizar o prédio como "UBSI Adelaide Celeste de Souza", uma das mais antigas do Campinho. No momento de ler a biografia da homenageada, um de seus filhos, Max de Souza Almeida, de tão emocionado não conseguiu fazer a leitura, a qual foi feita por outro dos sete filhos que ela teve.

Durante o ato solene, as lideranças regionais e da comunidade foram chamados a dar seu depoimento. O coordenador da Comunidade do Campinho, Clóvis Eduíno Xavier, não apenas agradeceu o empenho da deputada como aproveitou a presença de outras autoridades e políticos para pedir que todos se unam e ajudem o mandato da deputada Joenia  não apenas em direcionar emendas para as comunidades, mas também em defender os direitos dos povos indígenas. 

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A vice-coordenadora do Campinho, Alcineia Pinho Cadete, chamou a atenção para a força das mulheres indígenas na luta por seus direitos, que tem na deputada  exemplo e força. "A deputada Joenia não é só exemplo para o Brasil, mas para o mundo", disse ao agradecer pela UBS e lembrar que a luta dos povos indígenas segue contra o Projeto de Lei 490 que tramita na Câmara, o qual retira os direitos indígenas e acaba com demarcações de terras indígenas ao instituir um marco temporal.

Ao lembrar que o momento é de grande festa, o tuxaua da Comunidade Canauanim, Patrício Cadete, da qual Campinho é ligada administrativamente, afirmou ser preciso avançar, tirando exemplo dos tempos de luta em favor de uma saúde de qualidade. Sugeriu que seja investido na medicina tradicional, que é uma tradição dos povos indígenas e que serve de alternativa porque nem sempre as UBS têm medicamentos disponíveis. 

O coordenador regional dos Tuxauas da Região Serra da Lua, Clóvis Ambrósio, liderança pioneira que começou a luta em favor da saúde indígena na década de 1970, também deu seu depoimento. Ele reforçou a defesa pelo Sistema Único de Saúde (SUS), chamado por ele como o maior plano de saúde do brasileiro que não tem dinheiro para pagar hospital particular. "Se não fosse o SUS, mais gente teria morrido no país", disse se referindo aos mais de meio milhão de mortos pela Covid-19.

Outro ao parabenizar a comunidade pela inauguração da primeira UBS no mandato indígena foi o coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Edinho Batista. Disse que saúde pública é um direito universal da população e apontou o retrocesso em várias áreas que os povos indígenas vêm sofrendo no atual governo. Ele conclamou a comunidade a se unir ao mandato de Joenia na luta pelos seus direitos e também de políticas públicas.

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O coordenador do Dseli-Leste, Márcio Cavalcante, lembrou que está há pouco tempo à frente da instituição, mas reafirmou que seu empenho em resolver as pendências e honrar seu compromisso junto às cerca de 343 comunidades indígenas, onde muita delas os postos de saúde construídos pelos próprios indígenas têm cobertura de palha, chão de terra batida e paredes de taipa.

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Concretização de uma conquista do mandato indígena é um momento histórico

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Ao discursar na solenidade inaugural do prédio da Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) da Comunidade do Campinho,  a deputada Joenia Wapichana (REDE) iniciou se solidarizando com a dor das famílias indígenas que perderam entes queridos vítimas da Covid-19. Lembrou que os riscos não cessaram e que a nova UBS representará uma estratégia de enfrentamento ao coronavírus.  

Joenia voltou a destacar que o momento é histórico porque trata-se da primeira obra construída e entregue para comunidade como resultado das  primeiras emendas apresentadas como parlamentar indígena. "Quero sempre lembrar dessa primeira obra porque representa uma conquista do mandato. Agradecer a todos que ajudam a consolidar os direitos dos povos indígenas", afirmou. 

Lembrou da importância de ser ter uma representação indígena no Congresso Nacional, um momento histórico para as mulheres indígenas e todos os povos indígenas do Brasil. "Isso nos faz mostrar para todo o Brasil que os povos indígenas têm seus direitos e precisam de uma atenção, de respeito. Esse mandato é uma estratégia de consolidação de nossos direitos. Vocês são testemunhas aqui de como estão sendo executadas tanto as emendas quanto nossas propostas, nossos compromissos como uma parlamentar que vem do movimento indígena", prosseguiu.

Ao ter o resultado de seu trabalho concretizado com a execução de uma emenda, Joenia disse que todos estão construindo juntos essa história e confirmando a importância do sistema específico de saúde indígena, que representa o resultado de luta dos povos indígenas que começou com a participação de várias lideranças indígenas a partir de reuniões pequenas, na década de 1970.

"São essas reuniões que tiram decisões importantes, que hoje estão  sendo consolidadas como conquista de luta, como conquista no Congresso Nacional de estar falando como parlamentar. Hoje estamos dizendo que temos a capacidade de representar nós mesmos e mostrar que é possível, sim, nós, povos indígenas, fazermos parte da tomada de decisão do país", afirmou.

Ao explanar sobre sua luta na Câmara Federal, em favor dos direitos indígenas, a deputada chamou a atenção para as falas de políticos que se dizem amigos. Segundo ela, não adianta só apresentar emendas ou dizer que é amigo do povo indígena. "Tem que votar a favor dos direitos indígenas. Essa é a nossa diferença. Tem  que votar contra o retrocesso, contra as propostas que vêm reduzir as terras, prejudicando a saúde e a autonomia dos povos indigenas".

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