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A programação da II Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, prosseguiu nesta quarta-feira, 08, com uma audiência na plenária do acampamento onde estão mobilizadas mais de 4 mil mulheres indígenas, de 150 povos dos seis biomas brasileiro. A deputada Joenia Wapichana (REDE-RR), única parlamentar indígena no Congresso Nacional, foi uma das convidadas a falar na mesa sobre "diálogo com as mulheres biomas sobre acesso ao direito", além das deputadas Erika Kokay (PT-DF), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Vivi Reis (Psol- PA) e outras convidadas.  

Organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), o evento tem como tema “Mulheres originárias: Reflorestando mentes para a cura da Terra”. As mulheres chegaram na terça-feira, 07, para se juntarem aos indígenas que já estavam acampados no Distrito Federal na mobilização contra o marco temporal.

A deputada Joenia abordou o tema "violência, território/meio ambiente na perspectiva dos direitos humanos". Disse que a abordagem dessa temática é importante para mostrar que as mulheres fazem parte dessa grande movimentação, como instrumento de cidadania. "A gente vê que aqui estão mais de 4 mil mulheres, número bastante expressivo e que representa a realidade dos biomas. Esse encontro vai mostrar que os biomas também são das mulheres", disse.

A parlamentar destacou que as principais impactadas pelas ameaças ao meio ambiente, às florestas, são as mulheres, porque delas parte o manuseio dos recursos naturais. "São as mulheres que repassam os conhecimentos tradicionais, que ensinam o valor dos recursos naturais e da sua proteção. Por isso, quando ofendem o meio ambiente, com contaminação das águas com mercúrio, quando fazem desmatamento, a perda da biodiversidade, a ameaça à cultura indígena, estão ameaçando as mulheres indígenas também", frisou.

Chamou a atenção para a importância das mulheres fortalecerem os seus direitos para que possam se manterem na luta, pois muitas vezes esses direitos são recusados, inclusive por discriminação. Disse que isso não pode ser considerado normal e convocou todas a serem partícipes de suas história, exercendo o direito de participar, o direito à cidadania e exercerem qualquer tipo de profissão.

Com relação à segurança, Joenia lembrou que este ano tem sido  bastante violento para as mulheres, citando o caso de duas jovens indígenas que foram assassinadas Kaingang e Kaiowá, no mês de agosto.  Ao tomar conhecimento dos casos, a deputada disse que se sentiu na obrigação de ir a Plenário denunciar. "Eu estava chocada com tamanha violência contra mulheres indígenas, uma delas com o corpo jogado, dilacerado e violentado. Não temos que banalizar isso. Temos que fortalecer a luta, nosso direito. Isso não é normal, isso é crime. Temos que encarar essas vítimas da insegurança, seja quem for quem pratica", disse em tom emocionado.

Joenia afirmou ainda que a violência atinge as crianças, ao citar o caso das mulheres Yanomami, vítimas do garimpo em Roraima, na Terra Indígena Yanomami. "É muito grave o que as mulheres estão sofrendo por ataques de garimpeiros", destacou citando duas crianças que, aterrorizadas quando garimpeiros passaram no rio dando tiros, se jogaram no rio e se afogaram. "Essa violência  é do invasor de nossas terras, de garimpos, que vêm das invasões e da cobiça do ouro, da madeira e da terra", prosseguiu ao enfatizar que essa luta pela demarcação e contra a redução dos direitos indígenas também é das mulheres.

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Foto: Mídia Ninja

Encerrando a mesa, a coordenadora executiva da APIB, Sonia Guajajara, celebrou a representatividade da deputada Joenia Wapichana, única indígena no Congresso Nacional

A deputada conclamou todas presentes e ali representadas  para que somem esforços, junto com organizações indígenas, parlamentares, defensorias, Ministério Público e instituições de defesa de direitos em favor da luta das mulheres, que também é a luta dos povos indígenas. "Sou a primeira mulher indigena eleita deputada federal. Isso é para mostrar que somos capazes, sim. Quero que venham outras mulheres deputadas. Eu sou a única e não quero ser a última", disse.

Mulheres indígenas de Roraima celebram representatividade: “Joenia, você nos representa”

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As mulheres indígenas de Roraima também celebraram a representatividade e manifestaram apoio com um dos gritos que mais foram entoados nas mobilizações em Roraima e Brasília. nos últimos meses: “Joenia, você nos representa”.  A delegação indígena de Roraima é composta por 45 mulheres de vários povos e regiões do Estado, que participam da II Marcha das Mulheres Indígenas.